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sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Valéria Luercy



Nome: Luerci Moreira Banack

Créditos: Valéria Luercy, Valeria Luercy, Valéria Luerci, ou Valeria Luerci

Atividades: Atriz, redatora, autora, diretora, apresentadora, compositora, letrista, cantora, locutora, radialista, produtora, garota-propaganda e modelo

Áreas: Cinema, rádio, teatro e TV

Nascimento: 03/11/1938, Jaguariaíva/PR

Óbito: 03/08/1993, São Paulo/SP

Causa óbito: Câncer de mama

Relacionamentos: Foi casada com Antonio Carlos Xavier Farias (1956-1962); e com o ator Rony Rios (1962-1966). Era casada com Eli Batista Guastapaglia (1971-1993), uma filha: Vanessa.

Nota: Destacou-se como humorista. Formada em Direito. Ex-vedete do "Teatro de Revista". Também atuou como advogada. Em 1993, diagnosticada com um câncer de mama, afasta-se do meio artístico para tratamento de saúde, vindo a falecer, no mesmo ano, na Santa Casa de Misericórdia, em São Paulo/SP. Seu corpo foi transladado para a sua cidade natal, Jaguariaíva/PR.

Carreira: 1957-1993

Alguns trabalhos:

1964/1971 - A Praça da Alegria (Televisão) - Ofélia
1971 - Este Mundo Louco da Comédia: Sátira a Rasputin (Televisão)

5 comentários:

MARIO GORDILHO disse...

Biografia de VALÉRIA LUERCY por Rafael Gustavo Pomim Lopes (parte 01)

Valéria Luercy é o nome artístico de Luerci Moreira Banack nascida no dia 3
de novembro de 1938, nas dependências da casa de seus pais, na cidade de
Jaguariaíva, Estado do Paraná. Filha caçula do casal Alcidina Moreira Banack, a
dona “Dica”, do lar e de Antenor Banack, comerciante, que ainda tinham como filha:
Leoni Moreira Banack.
Devido há problemas no cartório de Jaguariaíva, seus pais sentiram-se
obrigados a fazer o registro da filha na então cidade de Arapoti1, Estado do Paraná
apenas 14 anos depois do seu nascimento, tendo à menina Luerci sido registrada à
folha 48, do Livro 6, sob o número 547, do Cartório de Registro Civil da citada
cidade.
Luerci iniciou seus estudos primários aos sete anos de idade no Grupo
Escolar do Bairro Matarazzo, na cidade de Jaguariaíva, instituição de disciplina
rígida e caritativa, tendo como um de seus mestres, o professor Ignácio Alves de
Souza Filho.
Entre os rigores dos primeiros estudos e a vida da imaginação, deu a
menina Luerci as primeiras provas dos seus talentos artísticos e de sua profunda
inteligência, obtendo excelentes resultados nas matérias científicas e humanísticas e
mostrando-se apta para um futuro repleto de prosperidade e sucesso.
Demonstração disso foi a sua destacada participação aos oito anos de idade, em
Jaguariaíva, no programa radiofônico Clube dos Canarinhos, produzido pela Rádio
Jaguariaíva e gravado nas dependências desta, coordenado pelo casal Liséte Fadel
Carneiro e Flávio Faria Carneiro. No programa Luerci interpretava diversas canções
de artistas de renome nacional, deixando os coordenadores e os demais
participantes admirados pela sua destreza para com a música.
Porém, à menina Luerci encantada pelo mundo artístico, tinha conhecimento
da importância e do valor de uma formação educacional e profissional.
Perseverante, continuou seus estudos, iniciando o curso Ginasial no então Ginásio
Estadual de Jaguariaíva, hoje Colégio Estadual Rodrigues Alves, formando-se no
ano de 1953. No contra turno do período do ginásio, fascinada pelo mundo da
comunicação, aos 13 anos de idade, Luerci começou a trabalhar escondida como locutora na Rádio Jaguariaíva, porém, seus pais tão logo descobriram, obrigaram-na
a deixar a “profissão”, transferindo à filha para a cidade de Castro, Estado do
Paraná, onde foi matriculada em um internato, cursando nesta instituição o
Científico, vindo a diplomar-se em 1955. Porém a atitude de seus pais não impediria
que à menina Luercy se torna-se no futuro um dos nomes mais conhecidos do rádio
e da televisão brasileira.
Após a sua formatura em Castro, Luerci regressa a cidade de Jaguariaíva,
onde é contratada pelas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, para ocupar o
cargo de secretária da mesma. No cotidiano da promissora Jaguariaíva, conhece o
jovem Antonio Carlos Xavier Faria, chamado pelos amigos e familiares de “Carlito”,
de quem se enamora por algum tempo, contraindo união com o jovem rapaz, aos 17
anos de idade, em 27 de março de 1956. A cerimônia do casamento foi realizada na
casa de sua mãe Alcidina, passando Luerci a partir desta união a adotar o nome de
Luerci Moreira Faria. (continua no próximo comentário).

Nota:
(1) Em 1954, foi criado o município de Arapoti no Estado do Paraná com território desmembrado do município de Jaguariaíva, pela Lei Estadual N° 253, de 26 de novembro, porém a instalação oficial do município só foi efetivada em 18 de dezembro de 1955.

MARIO GORDILHO disse...

Biografia de VALÉRIA LUERCY por Rafael Gustavo Pomim Lopes (parte 02)

Fascinada ainda mais pela comunicação em 1957 resolve ir embora com amigas para a
cidade do Rio de Janeiro, onde estuda francês e italiano. Bonita,
inteligente e de porte físico invejável, à jovem Luerci logo atraiu os olhares dos
produtores dos memoráveis Teatros de Revista da capital, sendo logo contratada
como modelo fotográfica para a indústria fonográfica, ilustrando com sua beleza a
capa de diversos discos de vinil, neste período, adota o nome artístico de Valéria
Luercy, nome este que ficaria notório no mundo do entretenimento. Ainda em 1957 é
contratada pela Companhia Teatral de Walter Pinto, integrando no mesmo ano o
elenco da Revista É de Xurupito, logo em 1959 participa da Revista Tem bububu no
bobobó, ambas no Rio de Janeiro.
O sucesso na carreira de modelo e as aparições constantes nos jornais e
revistas tornaram-se cada vez mais freqüentes, tendo agora Valéria Luercy
conquistado fama e prestígio entre os mais consagrados produtores do Teatro de
Revista da época. Ao longo do final da década de 1950 e do início da década 1960,
Valéria Luercy, bonita e de porte físico invejável, logo superou a carreira de modelo
artística. Em 1959 foi contratada como garota-propaganda da TV Rio e no ano
seguinte contratada pelas companhias de J. Maia e Max Nunes para participar como
vedete da Revista: O assunto é mulher. Em uma rápida mudança, Valéria Luercy de
modelo, transformou em vedete em pouco tempo, progresso este que não dependeu
do auxílio de nenhum produtor teatral da época e sim da própria competência da
artista, como ela mesmo declarou a imprensa na época: “Falando francamente, acho
que subí muito depressa. Pois, com tão pouco tempo de teatro, sair de modêlo e
passar, de uma hora para outra, para vedete, não é para qualquer uma... Haja vista.” 2
Como vedete Valéria Luercy participaria de diversas Revistas, ao lado de
inúmeras atrizes e atores, tais como Betty Rian, Gisele Greco, Judithe Barbosa,
Silvia Rosay, Susy Moreno, Virgínia Lane (“A vedete do Brasil”), Adolfo Machado,
Geraldo Gambôa, Rony Rios e outros em produções como: América de noite, Que
boas que elas são, Colégio do rebolado, Elas de Baby Doll, Carnaval na ilha do sol,
A fantasia é mulher, Um bocadinho assim..., Tá pegando fogo, Variedades na
América, Brasil Bossa Nova, Segura o ximango e outras.
Em 1960, devido ao seu admirável trabalho nas Revistas de teatro, Valéria
Luercy foi eleita em 1960, pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT) à
Melhor Atriz do Teatro Musicado Popular, tendo sido lhe outorgado um diploma por
tal conquista. No mesmo ano transfere-se para a cidade de São Paulo, onde é
contratada pela TV e Rádio Record, como atriz e apresentadora. Na emissora de
televisão Valéria Luercy foi integrante de diversos programas humorísticos, entre os
quais, destacava-se o humorístico Grande Show União que entrava no ar nas
quartas-feiras às 20 horas. Ao lado do ator Rony Rios, Luercy fazia o quadro
Philadelpho e Bárbara, que basicamente tinha o mesmo princípio do quadro Velinho
e Dona Didi da TV Guanabara, onde a história girava em torno do velhinho
galanteador que arrancava suspiros pela mulher bonita. O quadro foi um sucesso,
permanecendo mais de cinco anos no ar. Na Rádio Record, trabalhou como
locutora, sobretudo em rádio-novela, destacando-se sua participação nos
programas: Vale Quanto Pesa, Teatro do Outro Mundo e em História das Malocas,
onde fazia o papel da namorada de Charutinho, interpretado pelo músico e ator
paulista Adoniran Barbosa. Também foi apresentadora do rádio-jornal Dose das
Doze, um informativo que entrava diariamente no ar às 12 horas nas ondas médias
da Rádio Record. Além de Luercy, narravam também às noticias: Murilo de Amorin
Correa, Simplício e Maria Teresa. (continua no próximo comentário).

Nota:
(2) TAYLOR, Daniel. Valéria Luercy subiu às suas próprias custas!. Teatro Ilustrado. São Paulo, n.1, p. 25, agosto 1960. (continua no próximo comentário).

MARIO GORDILHO disse...

Biografia de VALÉRIA LUERCY por Rafael Gustavo Pomim Lopes (parte 03)

Com a vida artística em profundo crescimento, Luerci passa a residir na
capital de São Paulo. Com o trabalho exigindo que a jovem morasse na capital,
o casamento sucumbiu. Em 1963, após sete anos de união, o relacionamento com
esposo Antonio Carlos chegaria ao fim. O casal divorcia-se no mesmo ano, em 27
de novembro, após esta data Luerci volta a utilizar em seus documentos o nome de
solteira: Luerci Moreira Banack. Após este ínterim, Luerci contrai novo matrimônio
com o ator Rony Rios de quem viria a separar-se anos mais tarde.
Da notoriedade de seus trabalhos no rádio e na televisão, Valéria Luercy
destacou-se também no mundo da música, compondo e gravando diversas canções,
sobretudo marchas carnavalescas. De sua autoria destacam-se as composições:
Luar, À espera de alguém, Amanhã quero ser mais feliz, Passeando pela praia entre
outras.
Ainda na televisão, Valéria Luercy estrearia na TV Record no programa de
música e humor Corte Rayol Show, comandado por Renato Corte Real e Aguinaldo
Rayol, bem como no humorístico, Praça da Alegria, criado e apresentado por
Manoel da Nóbrega, neste último Luercy interpretava ao lado do ator ituano
Francisco Flaviano de Almeida, o Simplício o quadro Ofélia e Osório, um marco para
o humorístico, que voltaria a ser encenado pela dupla, ainda na TV Globo em 1977,
assim como na TV SBT no programa A Praça é Nossa no final dos anos de 1980.
O quadro Ofélia e Osório iniciava com o casal de sertanejos passando por
uma praça, quando resolvem se sentar para descansar de sua viagem e assim
sentam-se no mesmo banco em que está Manoel da Nóbrega lendo um jornal.
Depois que se apresentavam ao senhor junto ao banco, Simplício logo começava a
contar histórias fantasiosas da cidade de onde tinham vindo alegando que a mesma
era a “Cidade dos Exageros”, onde tudo era grande.
Até que em um dia, em uma das clássicas cenas de seu personagem,
Simplício deixou escapar o nome: Itu, para a surpresa de Valéria Luercy e de
Manoel da Nóbrega, já que a mesma não estava no roteiro. Quando Simplício foi
dizer o trecho: “Diz prá ele, Ofélia, o tamanho do feijão da nossa cidade”, Simplício
disse: “Diz prá ele, Ofélia, o tamanho do feijão de Itu”. Aparentemente Manuel da
Nóbrega ficou perplexo e, como um ventríloquo resmungou: “Isto não estava no
script”; e Simplício, também como um ventríloquo retrucou: “Agora já foi”.
Terminando o programa, Simplício achou que Manoel da Nóbrega fosse dar-lhe uma
bronca, mas, para a sua surpresa ele havia gostado e a partir deste dia, o ator
começou a falar de Itu, sua cidade natal, tendo sempre ao seu lado a companheira
Ofélia, interpretada por Valéria Luercy que fazia gestos para mostrar o tamanho das
coisas da cidade, sempre dizendo: “Ô é... Ô se é!”.
Pela participação deste quadro com Simplício e assim ter contribuído na
criação do mito que consagrou a cidade de Itu, onde: “Tudo é grande, tudo é maior.”,
Valéria Luercy recebeu diversas homenagens da cidade, nas diversas vezes que lá
esteve a convite dos poderes constituídos do município e do próprio Simplício para
participar de eventos públicos. Recebendo assim o perene respeito e a eterna
admiração da população Ituana. (continua no próximo comentário).

MARIO GORDILHO disse...

Biografia de VALÉRIA LUERCY por Rafael Gustavo Pomim Lopes (parte 04)

No início da década de 1970, Luerci contrai novo matrimônio, agora com o
engenheiro Eli Batista Guastapaglia, nascendo desta união uma filha, Vanessa. Com
o nascimento de sua filha, retira-se no mundo artístico, para os cuidados da mesma
e também para prestar o vestibular para o curso de Direito das Faculdades
Metropolitanas Unidas - FMU, ingressando na graduação deste curso no ano
seguinte e diplomando-se Bacharel em Direito em 24 de janeiro de 1977. No ano
seguinte abre um escritório de advocacia e dois anos depois inicia o curso de Pósgraduação
em Processo Civil na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São
Paulo, porém não concluiu.
Em 1982 voltou à televisão, mais precisamente na TVS (hoje SBT), no
humorístico Alegria 82, agora também como redatora. No programa escrevia seus
próprios quadros, destacando-se às personagens: Pureza, uma solteirona ingênua
que vive na esperança de arrumar um marido e Dona Biluca, uma velha que faz de
tudo para roubar o namorado das netas. Valéria Luercy permaneceu no humorístico
até 1983, quando voltou aos compromissos da advocacia, porém não se desligou
jamais do meio artístico, tendo volta e meia, participado de algum programa
televisivo, como por exemplo, em 1987, quando gravou alguns quadros de: Senti
Firmeza, da TV Bandeirantes. No mesmo ano fez uma participação especial no
recém programa A Praça é Nossa, comandado por Carlos Alberto da Nóbrega, que
conhecera desde os tempos da TV Record, tendo interpretado à personagem
Pureza, a participação de Luercy obteve uma excelente repercussão na imprensa e
por parte dos redatores do humorístico, tendo o próprio Carlos Alberto convidado a
atriz para, a partir de 1988 integrar-se fixamente ao elenco do programa, assim
como trabalhar como redatora do mesmo já que sempre criava seus próprios
personagens e redigia seus próprios textos.
Neste ínterim, Valéria Luercy escreveu, dirigiu e participou de diversas peças
teatrais que obtiveram inúmera repercussão nos meios jornalísticos, entre elas,
destacam-se: De artista e Louco todo mundo tem um pouco, onde atuou ao lado de
Orlando Vieira, Luigi Francesco e Mari Cardoso, e também a peça Gata de
programa e gato bom de cama, onde contracenou com os atores Renato Master e
Fernando Rondello e com a atriz Vânia de Oliveira.
Em 5 de maio de 1989, nas festividades alusivas ao aniversário da cidade de
Jaguariaíva, em sessão solene realizada nas dependências do Salão Paroquial da
Igreja de São Francisco de Assis e Santa Terezinha do Menino Jesus, Valéria
Luercy recebeu o Título de Vulto Emérito da cidade de Jaguariaíva por meio do
projeto de Lei N° 012/1989 de 17 de abril de 1989 de autoria do então vereador Silas
Gerson Ayres, que transformou-se na Lei Municipal N° 1035/1989 que concedeu o
título à atriz, bem como para os destacáveis cidadãos Jaguariaivenses: Francisco
Hyczy da Costa e José Haraldo Carneiro Lobo. (continua no próximo comentário).

MARIO GORDILHO disse...

Biografia de VALÉRIA LUERCY por Rafael Gustavo Pomim Lopes (parte 05 - final)

Em 1° de janeiro de 1990, Valéria Luercy é admita no quadro de funcionários
da agora TV SBT como atriz, destacando-se cada vez mais no humorístico A Praça
é Nossa ao interpretar à personagem Pureza, que criada pela própria Luerci, era
inspirada em uma empregada da atriz. Diversos artistas de renome nacional e
internacional contracenaram com Valéria Luercy neste quadro, dentre estes,
destacam-se Edgard Franco, Sérgio Mallandro, José Augusto, Walter Foster,
Gilliard, Carlos Imperial e outros.
Com o pleno sucesso da personagem Pureza, Valéria Luercy escreveu e
dirigiu a peça infantil O Casamento da Pureza, que percorreu inúmeras cidades de
São Paulo e região, tornado-se sucesso de público. Na peça além de sua magnífica
interpretação, Luercy também cantava a trilha sonora da mesma, tendo sido lançada
uma fita K7 como lembrança da peça teatral.
Em 1993, Luerci afasta-se do meio artístico para tratamento de saúde, vindo
a falecer nas dependências da Santa Casa de Misericórdia, no Distrito da
Consolação, na cidade de São Paulo aos 54 anos de idade no dia 3 de agosto de
1993. Seu corpo foi transladado para a cidade de Jaguariaíva, onde foi velado nas
dependências da Câmara Municipal e depois conduzido em cortejo fúnebre para o
Cemitério Municipal Bom Jesus nesta mesma cidade, onde foi sepultado no mesmo
jazigo onde jaziam os restos mortais de sua mãe Alcidina.

Muito obrigado pelo excelente trabalho Rafael Gustavo Pomim Lopes.
https://www.facebook.com/rafael.pomim

Att. Mario Gordilho